Perda de memória: Covid-19 pode afetar cognição de infectados

01/03/2021

O sistema respiratório não é o único a ser afetado pela Covid-19. Um estudo realizado pelo InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas) mostra que pacientes infectados pelo novo coronavírus podem sofrer disfunções neurológicas, incluindo a perda de memória.

De acordo com a neuropsicóloga Lívia Stocco Sanches Valentin, as sequelas não são exclusivas de pacientes graves. Pessoas com sintomas leves, como coriza, e até mesmo assintomáticos foram diagnosticados com problemas cognitivos.

Além disso, os dados indicam que a recuperação física nem sempre vem acompanhada de uma melhora cognitiva.

“Isso deixa clara a importância de se incluir na avaliação clínica dos pacientes pós-Covid-19 de qualquer gravidade sintomas de problemas cognitivos como sonolência diurna excessiva, fadiga, torpor e lapsos de memória, para que com o diagnóstico precoce possa haver uma rápida intervenção terapêutica”, explica a médica.

Método de análise

Criado em 2010, o jogo digital MentalPlus foi a ferramenta utilizada pela pesquisadora para avaliar pacientes que tiveram Covid-19 em variáveis estágios, idades e condição financeira.

“Este jogo nasceu para detectar possíveis disfunções neurológicas em pacientes que eram prejudicados após o uso de anestesia geral profunda. Esse mecanismo não só avalia, como ajuda na reabilitação. Então decidi usar o MentalPlus na pesquisa com pessoas que tiveram sintomas ou que testaram positivo para Covid-19”, detalha Dra. Lívia, impressionada com o desfecho da pesquisa.

“O resultado foi impactante: independentemente do grau da doença, da faixa etária ou do nível de escolaridade, os pacientes que tiveram sintomas podem sofrer de disfunção cognitiva”, diz a cientista.

A covid-19 e a perda de memória
Novo coronavírus pode prejudicar saúde mental até mesmo de pessoas assintomáticas

Resultados do estudo

A primeira fase do estudo foi realizada com 185 pacientes, entre março e setembro de 2020. Atualmente já são 430 pessoas sendo acompanhadas na pesquisa.

Os resultados mostram que 80% dos participantes do estudo sofreram com alguma disfunção cognitiva. As mais comuns são dificuldade de concentração, perda de memória, confusão e mudanças comportamentais e emocionais.

Segundo a médica do InCor, as sequelas cognitivas decorrem da entrada do vírus pelas vias aéreas. Como resultado, os pulmões são comprometidos, ocasionando uma queda no nível de oxigênio. “A dessaturação de oxigênio vai para o cérebro, acomete o sistema nervoso central e afeta as funções cognitivas”, elucida a pesquisadora.

O tratamento para reversão desse quadro, de acordo com a Dra. Lívia, é feito através de exercícios cognitivos específicos. A ideia é que o cérebro seja estimulado a consumir mais oxigênio, melhorando gradualmente seu desempenho.

“Quanto mais cedo tiver início a terapia cognitiva, mais rápida será a recuperação e, consequentemente, menores os prejuízos mental, emocional, físico e social para essas pessoas”, concluí a médica.

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