Memória e concentração podem ser afetadas por confinamento, diz estudo

23/08/2021

A pandemia da Covid-19 já foi responsável pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo, alterando a rotina da população de todo o planeta. Item polêmico e nem sempre respeitado, o isolamento social passou a ser uma das medidas recomendadas pelas autoridades para conter o novo coronavírus.

Embora sua eficiência seja comprovada por diversos órgãos científicos, a prática pode estar ligada a um efeito negativo para a mente humana. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Nova Gales do Sul (UNGS), na Austrália, o isolamento afeta diretamente nossas funções cognitivas, como a memória e a concentração.

O que mostra o estudo

O experimento, que contou com voluntários italianos que foram isolados por cerca de dois meses em 2020, revelou que o aumento nas distrações em pessoas sob tais circunstâncias era comum.

Professor da Escola de Psicologia da UNGS, Brett Hayes diz que o estudo de 4000 entrevistados descobriu que 30% haviam experimentado algum grau de mudança em sua atenção diária.

Algumas das alterações comuns do dia a dia eram problemas de memória, como onde você deixou seu celular, dificuldade em focar sua atenção e perder o foco ao tentar ler um livro ou assistir a algo na internet.

“Também era pior para pessoas com problemas emocionais, que se sentiam deprimidas ou estressadas e ansiosas. Elas tinham mais desses sintomas. Mas mesmo para aqueles sem esses problemas, tais problemas cognitivos eram bastante comuns”, analisa o psicólogo cognitivo.

Memória e Concentração
Sensação de dias repetitivos na quarentena pode afetar a memória

Como o cérebro armazena a memória

O estudo sugere que o motivo pelo qual nossa memória piora sob confinamento tem a ver com a exaustão de viver dias repetitivos na quarentena. Isso, por sua vez, torna mais difícil para o nosso cérebro armazenar memórias e recuperá-las mais tarde.

“O que sabemos sobre memória humana é que o contexto é muito importante. Você pode estar trabalhando em casa, conversando com um amigo ou assistindo a um filme. Quando temos essas experiências, podemos focar na parte principal dela, mas nosso cérebro está na verdade codificando um monte de outras coisas apenas acidentalmente, como onde isso está acontecendo, o local, onde e quando está ocorrendo”, explica o professor Hayes.

Ele diz que nosso cérebro é sensível a este contexto, o que nos ajudar a armazenar nossas memórias de uma forma que seja fácil para recuperarmos essas experiências mais tarde.

“Quando o contexto está mudando, o que normalmente acontece na vida cotidiana quando estamos nos movendo e visitando diferentes lugares em diferentes momentos do dia, é fácil guardar memórias e relembrá-las”, diz.

“Mas quando você está em isolamento, suas oportunidades de sair e se envolver em diferentes atividades são muito limitadas. E quando você passa por dias repetitivos, apenas variações da mesma coisa a cada dia, é quando os dias tendem a começar a se confundir, porque temos o mesmo contexto todo dia”, completa Hayes.

Portanto, uma rotina sem novidades torna mais difícil para o nosso cérebro separar experiências, e essa é uma das razões para a recorrência de problemas de memória durante a quarentena, de acordo com o estudo.

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