Hipertensão descontrolada pode causar problemas de memória e concentração

05/04/2021

Não é mistério que a pressão alta aflige muitos brasileiros. Afinal, cerca de 36 milhões de pessoas sofrem desse problema no país. De acordo com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, 60% dos idosos são atingidos pela hipertensão, responsável indireta por metade das mortes ocorridas por doenças cardiovasculares – aproximadamente 200 mil por ano.

E, embora seja normalmente ligada a problemas no coração, a hipertensão também compromete funções cognitivas importantes, como memória, concentração e raciocínio. É o que aponta um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), segundo o qual a hipertensão descontrolada pode tornar a mente de pacientes menos saudáveis e efetivas com o passar do tempo.

Mas, como nosso intelecto pode ser afetado pela pressão sanguínea? A ciência explica que conforme aumenta a pressão sob as artérias, maior se torna a dificuldade de esses vasos transportarem sangue, prejudicando a oxigenação de todo o organismo.

Problemas de memória: hipertensão
Estudo da UFMG mostra que hipertensão prejudica funções cognitivas, além do coração

O levantamento da UFMG utilizou como base de dados o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA Brasil), que abrange 15 mil brasileiros espalhados por seis regiões do país. Os pesquisadores se debruçaram nas informações de cerca de 7 mil pessoas, com média de 59 anos, que foram submetidas a testes de desempenho cognitivo, como análise de memória, fluência verbal e funções como concentração, raciocínio e atenção.

Os testes foram divididos em dois momentos: no início do ELSA e quatro anos depois, em uma visita de acompanhamento. Os resultados apontaram que 22% dos voluntários apresentaram pré-hipertensão (pacientes com níveis alterados, mas que ainda não possuem a doença em si) e 46,8% eram hipertensos.

Com o cruzamento de dados, os cientistas perceberam que ter hipertensão ou pré-hipertensão no início do estudo estava relacionado a quedas e prejuízos no desempenho cognitivo anos depois. Eles ainda identificaram que a pressão alta não tratada em qualquer idade culmina em um declínio da memória e do raciocínio.

“Nossos resultados destacam a importância de diagnosticar e controlar a hipertensão em qualquer idade para prevenir ou desacelerar o declínio cognitivo”, afirmou em comunicado a médica Sandhi Barreto, autora do estudo e professora da UFMG. “Eles reforçam a necessidade de manter níveis de pressão arterial mais baixos ao longo da vida, uma vez que mesmo a pré-hipertensão foi associada a uma piora cognitiva”, completou.

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