Estudo indica melhora da memória com exercícios leves

13/09/2021

Se você não é daquelas pessoas que gostam de passar horas na academia ou que percorrem grandes distâncias em uma corrida, não se preocupe. De acordo com estudos científicos recentes, uma breve caminhada é capaz de gerar benefícios não apenas para o corpo, mas também para a mente.

Dez minutos de exercícios leves podem alterar imediatamente a forma como certas partes do cérebro se comunicam e se coordenam entre si, melhorando a memória, segundo um novo estudo neurológico. As descobertas sugerem que o exercício não precisa ser longo ou intenso para beneficiar o cérebro, e que os efeitos podem ser sentidos muito mais cedo do que imaginamos.

Diversos estudos com ratos descobriram que os animais, quando correm em rodas ou esteiras, desenvolvem mais novas células cerebrais do que se permanecessem sedentários. Muitas das novas células estão agrupadas no hipocampo, área do cérebro essencial para a criação e armazenamento da memória.

Os cientistas observaram que os animais ativos também tiveram resultados melhores nos testes de aprendizado e memória. Outros estudos já haviam indicado que pessoas que se exercitam regularmente tendem a ter um hipocampo maior e mais saudável do que indivíduos sedentários, especialmente à medida que envelhecem.

Exercícios leves já ajudam

Normalmente, os estudos envolvem exercícios moderados ou intensos, como corrida ou caminhada rápida, e muitas vezes por semanas ou meses seguidos.

No entanto, em um novo estudo, publicado em setembro na revista Proceedings, cientistas da Universidade da Califórnia, Irvine e da Universidade de Tsukuba, no Japão, recorreram a um procedimento diferente.

Os pesquisadores convidaram 36 estudantes jovens e saudáveis para o laboratório e os fizeram sentar quietos em uma bicicleta ergométrica por apenas dez minutos. Ou então pedalar a bicicleta em um ritmo tão suave que mal aumentava seus batimentos cardíacos.

Em termos técnicos, o exercício foi realizado em cerca de 30% da reserva de frequência cardíaca de cada voluntário. Para efeito de comparação, uma caminhada rápida deve aumentar a frequência cardíaca de uma pessoa para cerca de 50%. Portanto, foi uma tarefa fácil de se fazer.

Melhora da memória
Uma caminhada de poucos minutos é suficiente para proporcionar benefícios para o cérebro

Resultados do estudo

Imediatamente após cada sessão de sentar ou pedalar devagar, os estudantes completaram um teste de memória computadorizado. Durante exame, eles veriam uma breve imagem, por exemplo, de uma árvore, seguida por uma variedade de outras imagens e, então, uma nova foto da mesma árvore ou uma semelhante.

Os alunos pressionavam botões para mostrar se achavam que cada imagem era nova ou igual à anterior. O teste era difícil, pois várias imagens se pareciam muito umas com as outras. Era necessário examinar as memórias recentes rapidamente para decidir se a imagem era nova ou já conhecida.

Em seguida, os cientistas fizeram com que cada estudante repetisse essa sequência – pedalando ou sentando na bicicleta por dez minutos e depois concluindo o teste de memória. Mas o teste agora ocorria dentro de uma máquina que examinava os cérebros dos jovens enquanto respondiam às imagens.

Então os pesquisadores compararam os resultados. Os efeitos do exercício, embora pouco exigente, foram claros. Os jovens conseguiam lembrar melhor as imagens depois de andar de bicicleta, principalmente quando as imagens se pareciam mais. Portanto, quanto mais eles forçavam sua memória a trabalhar, melhor era o desempenho após o exercício.

Conclusão

A máquina que fez o scanner dos cérebros mostrou que partes do hipocampo de cada aluno se iluminaram de forma sincronizada com partes do cérebro associadas ao aprendizado, indicando que essas partes fisicamente separadas do cérebro estavam mais bem conectadas agora do que quando os alunos não haviam se exercitado pela primeira vez.

E quanto maior a coordenação entre as diferentes partes do cérebro, melhor era o desempenho dos alunos no teste de memória.

“Foi emocionante ver esses efeitos ocorrendo tão rapidamente e depois de exercícios tão leves”, disse Michael Yassa, diretor do Centro Irvine para Neurobiologia da Aprendizagem e Memória e coautor do novo estudo com Hideaki Soya, da Universidade de Tsukuba.

Segundo Yassa, as descobertas provam que o exercício pode mudar o cérebro e a mente das pessoas rapidamente, sem exigir semanas de treino. Melhor ainda, o esforço necessário pode ser tão pequeno a ponto de permitir que quase qualquer pessoa, mesmo aquelas que estejam fora de forma, concluam o exercício.

“Não estamos falando sobre maratonas. Parece que as pessoas podem melhorar suas memórias com uma caminhada rápida ou uma sessão fácil de algo como ioga ou tai chi”, concluiu.

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