Entenda por que a natação é o melhor esporte para a memória

27/09/2021

Não há nenhum segredo que os exercícios aeróbicos podem ajudar a evitar alguns dos estragos do envelhecimento. Mas diversas pesquisas sugerem que uma modalidade específica produz mais benefícios para o cérebro que as outras: a natação.

Esses estudos indicaram que nadar regularmente melhora a memória, a função cognitiva, a imunidade e o humor. A natação também pode ajudar a reparar os danos do estresse e produzir novas conexões neurais no cérebro.

Mas os cientistas ainda estão tentando desvendar como e por que a natação, em especial, produz esses efeitos de aprimoramento do cérebro.

Células cerebrais e conexões novas e melhoradas

Até a década de 1960, os cientistas acreditavam que o número de neurônios e conexões sinápticas no cérebro humano eram finitos e que, uma vez danificadas, as células cerebrais não poderiam ser substituídas. Mas essa ideia foi desmistificada quando os pesquisadores começaram a ver amplas evidências do nascimento de neurônios, ou neurogênese, em cerébros adultos de humanos e outros animais.

Agora, há evidências claras que o exercício aeróbico pode contribuir para a produção de neurônios e desempenhar um papel fundamental em ajudar a reverter ou reparar danos às essas células cerebrais e suas conexões em mamíferos e peixes.

A pesquisa mostra que uma das principais maneiras pelas quais essas mudanças ocorrem em resposta ao exercício é através do aumento dos níveis de uma proteína chamada fator neurotrófico derivado do cérebro. A plasticidade neural, ou capacidade de o cérebro mudar, que essa proteína estimula, potencializa a função cognitiva, incluindo o aprendizado e a memória.

Estudos em pessoas descobriram uma forte relação entre as concentrações de fator neurotrófico derivado do cérebro e um aumento no tamanho do hipocampo, região do cérebro responsável pelo aprendizado e memória. Níveis maiores dessa proteína também indicaram melhorar o desempenho cognitivo, além de ajudar a reduzir a ansiedade e a depressão.

O exercício aeróbico também promove a liberação de mensageiros químicos específicos chamados neurotransmissores. Um deles é a serotonina, que – quando presente em níveis elevados – é conhecida por reduzir a depressão e a ansiedade e melhorar o humor.

Melhor esporte para a memória
Nadar é o exercício físico mais eficiente para a sua memória, segundo estudos científicos

Mas o que há de especial em nadar?

Os cientistas ainda não sabem qual pode ser o segredo da natação. Mas estão cada vez mais perto de entender a questão.

A natação é reconhecida por seus benefícios cardiovasculares. Como a modalidade envolve os principais grupos musculares, o coração precisa trabalhar muito, o que aumenta o fluxo sanguíneo em todo o corpo. Isso leva a criação de novos vasos sanguíneos. O maior fluxo sanguíneo também pode levar a uma grande liberação de endorfina – hormônio que atua como redutor natural da dor em todo o corpo. Essa onda provoca a sensação de prazer que geralmente se segue à atividade física.

A maioria das pesquisas realizadas para entender como nadar afeta o cérebro é feita usando ratos. Os roedores são um ótimo modelo de laboratório devido à sua semelhança genética e anatômica com os humanos.

Em um estudo com ratos, a natação mostrou estimular as vias cerebrais que suprimem a inflamação no hipocampo e que inibem a morte celular. O estudo também apontou que nadar pode ajudar a sustentar a sobrevivência dos neurônios e reduzir os impactos cognitivos do envelhecimento. Embora os pesquisadores ainda não tenham uma maneira de visualizar a morte celular e a sobrevivência dos neurônios em pessoas, eles observam resultados cognitivos semelhantes.

Uma das questões mais interessantes é como a natação melhora a memória de curto e longo prazo. Para determinar quanto tempo os efeitos benéficos podem durar, os pesquisadores treinaram ratos para nadar por 60 minutos diariamente durante cinco dias por semana. A equipe então testou a memória dos ratos fazendo-os nadar em um labirinto de água radial contendo seis braços, incluindo um com uma plataforma oculta.

Os ratos tiveram seis tentativas para nadar livremente e encontrar a plataforma oculta. Depois de apenas sete dias de treinamento de natação, os cientistas viram melhorias nas memórias de curto e longo prazo, com base na redução dos erros que os ratos cometiam a cada dia. Os pesquisadores sugeriram que essa evolução na função cognitiva pode fornecer uma base para o uso da natação como forma de reparar o aprendizado e os danos à memória causados por doenças neurológicas em humanos.

Embora a diferença entre estudos com ratos e humanos seja substancial, a pesquisa em pessoas está produzindo resultados semelhantes que sugerem um claro benefício cognitivo da natação em todas as idades. Por exemplo, em um estudo que examinou o impacto da natação na precisão em idosos, os pesquisadores concluíram que os nadadores melhoraram a velocidade mental e a atenção em comparação com os não nadadores.

Outro estudo comparou a cognição entre atletas de esportes terrestre e jovens nadadores adultos. Embora a imersão na água em si não tenha feito diferença, os pesquisadores descobriram que 20 minutos de natação de nado peito de intensidade moderada melhoraram a função cognitiva em ambos os grupos.

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